Oficina do Movimento Negro Unificado discute questão quilombola

23:21 | 26 de janeiro de 2012

Análise de conjuntura geral, cotas, inserção do negro na universidade e no espaço de trabalho, e a questão quilombola. Esses foram os assuntos tratados na Oficina Mundo Negro, realizada pelo Movimento Negro Unificado no Fórum Social Temático com a presença da ministra da Igualdade Racial, Luíza Bairros, e da qual participou a Direção Nacional da Fasubra Sindical.

Na ocasião, representantes dospovos quilombolas denunciaram o uso e tráfico de drogas entre os jovens nas comunidades, cobraram políticas públicas e recursos do Governo Federal paraintercâmbio de ações e atividades entre os estados como forma de articulação.

Aos críticos do Governo que exigiram mudanças concretas da realidade do negro na sociedade brasileira, ministra disse que política pública não se faz com simplicidade, mas com muita luta. “Implantar política pública é espaço de conflito. Não fazemos política em condições ideais, nunca foi assim, é preciso lutar”, argumentou a ministra aos presentes.

Para Bairros há melhoria substancial na condição do negro perante a sociedade, mas pode evoluir mais na questão quilombola desde que o movimento esteja unido. “Não existe a possibilidade de avanços na política destinada a essas comunidades com o nível de fragmentação que há atualmente, porque para o governo não existe questão quilombola fragmentada”, explicou aos presentes que exigiam soluções para situações específicas para comunidades, como, por exemplo, a instalação de cisternas.

Como sugestão ela apresentou o fortalecimento da CONAC como interlocutora junto ao Governo e a disputa de recursos disponíveis em projetos de âmbito federal através de parcerias com os estados, de forma a viabilizar a garantia de que os projetos cheguem efetivamente à comunidade e sanem as demandas. “As necessidades das comunidades devem ser representadas por sua liderança política e operacional nos estados onde elas estão inseridas”, disse a ministra.

Finalmente, a ministra manifestou-se contra a visão do negro como povo pobre e sofrido. “Pessoalmente não aceito essa visão. Eu acho que a nossa situação se tornou muito mais complexa que há 20 ou 30 anos, e isso é resultado da nossa luta que conseguiu abrir espaço para dialogar”, pontuou Bairros.

Toda a discussão foi acompanhada pelos coordenadores da Fasubra Sindical, que à tarde participaram ainda de oficina sobre a saúde da mulher negra.

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Texto: Carla Jurumenha – Ascom Fasubra

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