XXI CONFASUBRA – CENTRAIS E COLETIVOS AVALIAM IMPACTOS DA CRISE ECONÔMICA PARA O CONJUNTO DA CLASSE TRABALHADORA

21:59 | 10 de abril de 2012

Após a abertura do XXI Confasubra, na terça-feira (10), foi instalada a mesa Conjuntura Nacional e Internacional, que contou com os palestrantes Gilson Reis (CTB), Dary Beck Filho e Quintino Severo (CUT), Lujan Miranda (Coletivo Vamos à Luta), e os coordenadores da Fasubra Paulo Henrique dos Santos e Janine Vieira, e Bernardo Correia (Coletivo Base).

Todos eles avaliaram os efeitos da crise mundial para os trabalhadores, principalmente para os servidores públicos federais, e particulamente para os técnico-administrativos em educação.

Gilson Reis (CTB) disse que quanto à questão da crise econômica três questões precisam ser cuidadosamente analisadas. São elas: 1) a crise estrutural do sistema capitalista que não consegue dar resposta aos problemas sociais. 2) a implementação de reformas estruturais e 3) construir políticas econômicas que superem o modelo neoliberal que se manteve nos últimos nove anos, mesmo com o governo progressista brasileiro.

Por sua vez, Dary Beck Filho (CUT) reforçou o texto da tese Resignificar a Luta, afirmou que não acredita no fim do capitalismo por conta da crise econômica, e defendeu a implantação de um novo modelo econômico fundamentado nas necessidades da sociedade brasileira. Ele avaliou que o crescimento da economia é resultado de programas desenvolvidos pelo Governo Federal, que possibilitou a entrada da população das classes D e E em programas como, por exemplo, o Renda Minha.

Nujan Miranda (Coletivo Vamos à Luta) falou sobre a radicalização dos movimentos sociais, que segundo ela, tem conseguido manter a luta dos trabalhadores com foco na realidade. Ela acredita que o Governo Dilma tem repetido a mesma política neoliberal do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e que a conta “tem sido paga pelos trabalhadores”, fator que teria dado origem à intensificação das ações.

Para Nujam é importante que os trabalhadores unidos reforcem suas estratégias de luta para combater o capital neoliberal que tem resultado em perdas para o trabalhador. “Precisamos construir um plano de ação que não fique só no papel, e para isso precisamos romper definitivamente com o atual governo, que está a serviço das elites nacionais e não do trabalhador”, conclamou.

Bernardo Correia (Coletivo Base) criticou a política econômica ao afirmar que o governo brasileiro tem dado prioridade ao sustendo de banqueiros e empresários, enquanto relega a segundo plano causas fundamentais para o desenvolvimento, como educação e saúde. “Não ha como desenvolver o país, sem dar condições mínimas aos trabalhadores”, enfatizou.

Correia também criticou o que chamou de “recentes investidas do governo contra os servidores públicos”, representadas pela aprovação da EBSERH e da previdência complementar pelo Congresso Nacional. Para ele é preciso reinventar ou inventar uma outra alternativa política que realmente aponte para o atendimento das lutas dos trabalhadores.

Finalizando mesa, o secretário geral da CUT, Quintino Severo, saudou a mesa cumprimentando principalmente os aposentados e aposentadas que pacientemente ouviam o debate de conjuntura. Em seguida fez uma análise, que já ocorre no seio da central, sobre a conjuntura nacional e internacional e do cenário sindical brasileiro.

Segundo Severo, o Brasil tem sim desenvolvido, mesmo em níveis inferiores na esfera global, com uma taxa de apenas 2,7%, o que resultou em aumento dos empregos, mas ressaltou, porém, que agora é necessário melhorar os salários para garantir a inclusão das classes menos privilegiadas e reduzir as diferenças. “Temos que garantir que a taxa de juros baixe para que possamos investir mais na produção e menos o setor financeiro”, defendeu.

Segundo ele para a CUT, a previsão é de crescimento da economia em 2012, mas isso não significa que isso será suficiente para atender as demandas da sociedade, o que levará o conjunto dos trabalhadores a lutar por recursos para garantir valorização. “O desafio nosso é elevar os salários e investir nas políticas publicas do país para efetivamente enfrentar a crise mundial, ampliar a renda e valorizar os salários”, finalizou Severo. Sobre a organização sindical, o cutista defendeu o fim do imposto sindical e a negociação coletiva. Ele também propôs ao plenário a refiliação da Fasubra à Central Única dos Trabalhadores, no que foi rechaçado por parte dos delegados, e apoiado por outra parte.

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Texto: Carla Jurumenha – ASCOM FASUBRA Sindical

 

 

 

 

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