CNG FASUBRA PARTICIPA DA MARCHA DAS MARGARIDAS

18:12 | 17 de agosto de 2011

O Comando Nacional de Greve em conjunto com a Direção Nacional da FASUBRA, deliberou pela participação nesta quarta-feira (17), na Marcha das Margaridas, organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, com apoio das centrais sindicais, em prol das reivindicações das trabalhadoras rurais brasileiras, centradas na reforma agrária, na luta por creche de qualidade para trabalhadoras urbanas e rurais, e na política de valorização do salário mínimo. Desde ontem, mais de 10 mil mulheres de todas as regiões e que, com sua força de trabalho ajudam a desenvolver a economia do país e a eleger seus representantes, estiveram acampadas no Parque Rogério Pithon Farias, em Brasília.

No final da manhã, após passeata pela Esplanada dos Ministérios, elas foram recebidas pela presidente Dilma Roussef, a quem entregaram uma carta com suas reivindicações de trabalho, de desenvolvimento de política de gênero, de direitos sociais e raça e etnia.

Representando o ramo da educação, o CNG FASUBRA integrou a Marcha com um coletivo de cerca de 100 técnico-administrativos(as), que levaram uma grande libélula para a passeata significando a liberdade e a luta pela conquista do espaço por parte da mulher brasileira, nos locais de trabalho, na vida pessoal, profissional, no poder público e em todos os espaços representativos da sociedade.

O ato foi prestigiado por ministros de Estado e parlamentares, pelo governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e a ministra da Mulher, Iriny Lopes.

O porquê da Marcha das Margaridas – A marcha é uma homenagem que inicialmente foi feita pela CUT, à líder sindical Margarida Maria Alves. Atualmente a mobilização constitui-se em bandeira de luta tanto das mulheres do campo, quando das cidades em defesa de suas lutas, de seus direitos.

As mulheres de hoje se espelham no exemplo de vida e de luta da sindicalista para progredir socialmente. Para quem não conhece a história dessa mulher, vamos fazer aqui um breve relato.

Margarida Maria Alves foi presidente do sindicatodos trabalhadores rurais de Alagoa Grande. Filha mais nova de uma família de nove irmãos, foi ela que esteve à frente, enquanto, 12, sindicalista rural eleita para a presidência do sindicato em 1973, da luta por direitos básicos dos trabalhadores rurais em Alagoa Grande, tais como carteira de trabalho assinada e 13º salário, jornada de trabalho de 8 horas e férias.

Durante o período em que esteve à frente do sindicato — sendo a primeira mulher a lutar pelos direitos trabalhistas no estado da Paraíba durante a ditadura militar —, ela foi responsável por mais de cem ações trabalhistas na justiça do trabalho local. Sua atuação no sindicato entrou em choque, portanto, com os interesses do proprietário da maior usina de açúcar local (a Usina Tanques), de alguns senhores de engenho, remanescentes do período em que os engenhos dominavam a economia açucareira local e estadual, e de fazendeiros não ligados à lavoura da cana. O proprietário da Usina Tanques era o líder do chamado “grupo da Várzea” e o seu genro, então gerente da usina, foi acusado de ser o mandante do assassinato de Margarida Maria Alves no dia 12 de agosto de 1983.

Ela foi assassinada por um matador de aluguel com uma escopeta calibre 12. O tiro a atingiu no rosto, deformando sua face. No momento do disparo, ela estava em frente à sua casa, na presença do marido e do filho. O crime foi considerado político, e comoveu não só a opinião pública local e estadual, mas nacional e internacionalmente, com ampla repercussão em organismos políticos de defesa dos direitos humanos. Margarida dizia que “é melhor morrer na luta do que morrer de fome”, por isso é considerada um símbolo na luta pelos direitos dos trabalhadores rurais.

Recebeu, postumamente, o prêmio Pax Christi Internacional em 1988.

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Texto: Assessoria de Comunicação da Fasubra Sindical – Carla Jurumenha (61) 9271-5047

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