21 de março: Dia Mundial da Luta contra a Discriminação Racial

21:30 | 21 de março de 2011

 No dia 21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação.

 No dia 21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular.

No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou na multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186, esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville. Em memória à tragédia, a ONU – Organização das Nações Unidas – instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

O Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial diz o seguinte: “Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública”

No Brasil várias faces para manutenção do racismo foram produzidas, as mazelas literalmente expostas traduzem as relações desumanizadas, preconceituosas e discriminatórias em todos os âmbitos. O mito da democracia racial, que se supõe existir no Brasil, foi provavelmente um dos mais poderosos mecanismos de dominação ideológicos já produzidos no mundo, e, apesar de todos os avanços em prol do combate a prática do racismo, ainda assim permanece bastante atual de tal forma o que muitas das vezes fazem com que as pessoas o pratiquem inconscientemente.

No ponto de vista de classe, o racismo ainda se encontra muito presente, como um dos mecanismos de sustentação das desigualdades nas relações pessoais e no mundo do trabalho, predominantemente entre os trabalhadores e principalmente as trabalhadoras negras reforçando a prática da negação da identidade étnica e do fomentando a intolerância com a nossa ancestralidade cultural e com as religiões de matriz africana.

Durante toda linha histórica de formação da sociedade brasileira, os negros e as negras foram destituídos (as) do acesso aos bens sociais e fundamentais, sendo forçados a integrar-se no processo de aculturação euro-ocidental, desconsiderando o caráter miscigenado da sociedade brasileira e sua origem africana: um povo mestiço, misturado, tolerante.

A aparente arrumação na sociedade brasileira como sendo o “paraíso racial”, não significa que não tenha havido resistência por parte da população negra de forma organizada, ao modelo de dominação, a formação dos quilombos e a participação dos negros e negras em todas as insurreições ocorridas no país no século XIX demonstram essa resistência, que se faz necessária retomar a cada dia.

Raça negra *Roque Assunção da Cruz
Cantar-te, ó negro
Pele linda
Raça de cor
Unir! Mobilizar, lutar!
Superar a opressão
É a suprema aspiração
De todo homem livre
Preso me deu consciência
Da liberdade.
Silenciado,
Você me ensinou
A falar
Não há caminhada fácil,
Para a liberdade.
A não ser lutar,
Contra a desigualdade,
A discriminação e a opressão
Na busca de um novo horizonte
Construir o socialismo
Negro camarada irmão

O sonho de Martin Luther King era tão simples, como isto: “Eu tenho um sonho (…) que os meus quatro filhos vivam um dia numa Nação, onde não sejam julgados pela cor da pele, senão pela sua personalidade”.
O dia 21 de março marca ainda outras conquistas da população negra no mundo: a independência da Etiópia, em 1975, e da Namíbia, em 1990, ambos países africanos, e a inclusão de Zumbi dos Palmares na galeria dos heróis nacionais em 1997.

Todo e qualquer ser humano tem igualmente o direito, a uma nacionalidade, a deixar o país de origem e a regressar mais tarde e a circular livremente em qualquer outro país. Os direitos à liberdade de pensamento, de religião, opinião, expressão, assim como o direito ao trabalho, saúde ou participação em atividades culturais, estão todos eles devidamente estipulados e fundamentados, à luz das Nações Unidas.

O Dia Mundial da Discriminação Social pode ser um ponto de partida para que, a atitude de todos os cidadãos e cidadãs se modifique e, possamos viver sob o sonho de Martin Luther King. Esquecer de uma vez por todas, os complexos, idéias dogmáticas, aquilo que quando era criança lhe transmitiram erroneamente, liberte-se desses conceitos retrógados e lute por uma sociedade, baseada na igualdade de direitos.

O direito à igualdade de cada um perante a lei, proibindo e eliminando a Discriminação Racial, alheia à raça, cor, origem nacional ou étnica, está bem explícito na Declaração das Nações Unidas, promovendo todas e quaisquer formas contra a Discriminação Racial. Esta idéia datada de 20 de Dezembro de 1963 é um fato, mas jamais uma realidade por inteiro visível e constatada.

Vivemos numa democracia, pelo menos assim parece. Está inscrito na lei que, todas as pessoas, podem usufruir de inúmeros direitos, independentemente da cor, raça, estatuto social-econômico ou mesmo, das suas idéias. Aos olhos de uma democracia e de uma sociedade que apela para a igualdade, os acontecimentos, nem sempre demonstram que somos todos iguais.

A Discriminação Racial existe e, não há problema algum em colocar o dedo na ferida, para soltar bem alto esta característica da nossa sociedade, seja em um transporte público, na candidatura a um emprego ou em um restaurante banal, a síndrome discriminatória está sempre lá, a vista de todos ; a Discriminação Racial ainda existe, ainda que seja de forma camuflada .

O negro no Brasil O Brasil foi a última nação da América a abolir a escravidão. Entre 1550 e 1850, data oficial do fim do tráfico de negros, cerca de 3.600.000 africanos chegou ao Brasil; a força de trabalho desses homens e mulheres produziu a riqueza do País durante 300 anos. Apesar de a maior parte dos escravos não saber ler nem escrever, isso não significava que não tivessem cultura, eles trouxeram para o Brasil seus hábitos, suas crenças, suas formas de expressão religiosa e artística, além de terem conhecimentos próprios sobre técnicas de plantio e de produção; entretanto, a violência e a rigidez do regime de escravidão não permitiam que os negros e negras tivessem acesso à educação. Hoje, no Brasil, ainda é possível ver os reflexos dessa história de desigualdade e exploração; alguns indicadores referentes a população, família, educação, trabalho e rendimento são importantes para retratar de forma resumida a situação social de brancos, e afro-descendentes, nestes se revelam os níveis das desigualdades presentes em todas as dimensões e áreas geográficas do País e apontam também, para uma situação marcada pela pobreza, sobretudo para a população afro-descendente.

Negro –  Roque Assunção da Cruz
Negro eu sou!
Negro eu nasci,
Negro, a este mundo vim.
Negro é à força de uma vida.
Negro é luta renhida.
De um povo liberto por um porvir,
Negro escravo, eu não nasci.
Negro d’Africa, Brasil.
Negro Ganga Zumba, Zumbi.
Negro Osvaldo do Araguaia,
Negro socialista, sim.
Negro é maravilha
Negro sorrir também,
Negro é a liberdade,
Negro é a class
e operária,
Do país da desigualdade,
Chamado Brasil.
Negro escravo eu não nasci.
Negro clama por igualdade!
Negro é fraternidade,
Negro quer pão, terra e trabalho.
Para um novo Brasil construir.
Negro escravo eu não nasci.

Igualdade, canto do povo negroRoque Assunção da Cruz
Igualdade, igualdade doutor,
Igualdade o negro sempre lutou.
Enfrentando a intolerância
O racismo e a opressão
Na luta por igualdade
Construindo a nação.
O negro não, mas, escravo
Com seu canto varonil
O negro é liberdade
Cantando o Brasil.
Oh! Oh! Igualdade, o negro lutou
Igualdade o povo negro buscou
Igualdade o seu canto ecoou.
Reafirmando os seus direitos de cidadania
Princípios de igualdade
Na Carta Magna Irmão,
Todos por igualdade
O Brasil é uma grande nação.
Racismo e intolerância
Não tem mais espaço não.

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