Mulheres realizam grande ato contra a PEC 06/19 e em defesa da aposentadoria

Mulheres de diversos setores da sociedade civil, representantes de centrais, entidades sindicais, movimentos sociais e deputadas federais se uniram em um grande ato contra a reforma da Previdência – PEC 06/19, nesta quinta-feira (11), que lotou o auditório Nereu Ramos e mais duas comissões da Câmara dos Deputados, onde acompanharam o evento por telões, pois o espaço organizado para o evento não comportou todos (as) presentes.  A FASUBRA Sindical participou do ato com a presença de cerca de 20 coordenadoras e coordenadores.

Organizado pela Liderança da Minoria na Câmara, com o apoio da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Mulher, o ato reuniu deputadas federais do PCdoB, PT, PSB, PDT, PSOL, Rede e também parlamentares do MDB, PSDB, PP e DEM na luta por uma aposentadoria digna e contra a retirada de direitos constitucionais.

A proposta de reforma da Previdência, em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, é extremamente perversa com todos os trabalhadores (as), tanto da iniciativa privada quanto do serviço público, mas com as mulheres atinge o limite da crueldade porque não leva em conta a dupla ou até tripla jornada de trabalho.

Para a líder da Minoria, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), idealizadora do evento, é impossível não reagir à PEC, que é um total desastre. O ato é uma resposta das mulheres porque, conforme a deputada, é praticamente contra elas. “As mulheres que estão no mundo do trabalho hoje grande parte não consegue contribuir com a Previdência, 47% delas sequer têm carteira assinada e, atualmente, 67% das pessoas que se aposentam por idade são mulheres porque não conseguem contribuir. Então, na verdade é uma reforma sobre a população pobre e mulheres piores ainda”, destacou em entrevista à FASUBRA.

 

Feghali explicou ainda a diferença entre o sistema tripartite e o de capitalização. “Nem o patrão, nem o estado contribui, ou seja, é você na relação direta com um banco, na poupança que você conseguir fazer. Na verdade, é garantia zero de uma aposentadoria futura. Os bancos serão beneficiados com milhões de reais sendo deslocados pra lá. Isso quebra o sistema e nem os aposentados atuais têm garantia de continuar a receber a aposentadoria”.

O evento foi aberto com um vídeo, contou com a exposição de diversas deputadas e representantes de entidades, teve manifestação artística, com declamação de poesia e banda de maracatu. Balões nas cores amarelo e lilás traziam o recado de insatisfação. Durante o evento, as participantes também entoaram o seguinte dizeres: “Se votar, não volta”, ou seja, quem votar na proposta não se reelegerá.

A coordenadora-geral Vânia Helena Gonçalves, representou a FASUBRA e destacou que é sim possível derrubar a reforma. “Estamos aqui presentes e em todos os atos de rua contra essa reforma. As mulheres já mostraram que foram protagonistas nos momentos mais cruciais dos embates políticos da nossa história e vamos mostrar novamente que somos capazes de derrotar essa reforma. Ela é cruel com todos os trabalhadores, mas especial com as mulheres. O tempo diferente de serviço e o tempo diferente na idade não foi nos dado, foi  conquistado na história por companheiras que nos antecederam. E é nosso papel hoje na história desse país dizer não a essa reforma, colocar as mulheres nas ruas e derrotar essa reforma que só vai nos trazer atrasos”, afirmou.

Entre as diversas parlamentares comparecerem: Benedita da Silva (PT-RJ), Luiza Erundina (PSOL-SP), Erika Kokay (PT-DF), Maria do Rosário (PT-RS), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Talíria (PSOL-RJ), Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Tereza Nelma (PSDB-AL), professora Dorinha (DEM-TO) e Alice Portugal (PCdoB-BA). Deputados da oposição também estiveram presentes para apoiar o ato, como Ivan Valente (PSOL-SP), Paulo Pimenta (PT-RS), Alessandro Molon (PSB-RJ), Túlio Gadêlha (PDT-PE), Marcelo Freixo (PSOL-RJ), José Guimarães (PT-CE), e André Figueiredo (PDT-CE).