Greve de 48 horas e ato em defesa da educação

A maioria das universidades públicas do país aderiu à greve de 48 horas da educação, realizada nos dias 2 e 3 de outubro em todo o país, contra os sucessivos ataques do governo à Educação, entre eles, o projeto Future-se e os cortes de recursos nas IPE (Instituições Públicas de Ensino). A greve nacional da educação contou com o apoio das centrais e foi convocada pelas seguintes entidades sindicais e estudantis: FASUBRA, CNTE, UBES, UNE, FENET, ANPG, ANDES-SN e Sinasefe.

No dia 2, estudantes, docentes e técnico-administrativos(as) em educação realizaram atividades internas nas Institutos de Ensino Superior (IES) e no dia 3 promoveram grandes atos de rua em defesa da educação, da ciência e da tecnologia públicas. O dia 3 coincidiu com as ações em defesa das estatais e da soberania nacional, que marcaram o aniversário de 66 anos da Petrobras em meio ao anúncio da privatização de refinarias.

Ato em Defesa da Educação Pública na Câmara dos Deputados

Foto CNTE

Parlamentares de diversos partidos, governadores, ex-ministros, movimentos sociais, entidades estudantis e sindicais, entre elas a FASUBRA Sindical, participaram na quarta-feira (2/10) do ato “Em Defesa da Educação Pública, da Ciência, da Tecnologia e da Soberania Nacional”, no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados. A manifestação fez parte das ações da greve de 48h da educação e foi convocada pelo Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE), que congrega 35 entidades sindicais.

O evento lotou o auditório Nereu Ramos e homenageou a memória de Paulo Freire, patrono da educação brasileira, com a presença da viúva do educador Nita Freire, além de diversos intelectuais como Maria Teresa Eglér Mantoan, Erasto Fortes Mendonça e Carlos Augusto Abicalil.

“O ato tem um significado grande para nós parlamentares. A mobilização da educação pode nos ajudar a frearmos na LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2020 as tentativas desse governo de desconstrução da educação pública brasileira. Tem que ser esse o nosso compromisso como parlamentares. Se for o caso, se todas as perdas não forem recompostas, nós temos que bater na mesa e dizer: não se vota o Orçamento de 2020, sem a educação ser prioridade”, destacou o deputado federal José Guimarães (PT/CE).

O presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Iago Montalvão, disse ser necessário duas senhas para a vitória: amplitude e unidade. “Temos que chegar em todos os setores que forem possíveis, que tenham disposição de defender a educação pública, gratuita e de qualidade. Parte desse desbloqueio que foi feito, só surgiu por pressão da sociedade que partiu da luta dos estudantes, dos professores, dos trabalhadores em educação para que o dinheiro fosse devolvido, mas ainda falta muita coisa e não podemos aceitar esse discurso de que não houve cortes, pois as universidades foram prejudicadas e estudantes abandonaram suas pesquisas porque perderam bolsas e isso é corte”, criticou.

João Carlos Salles Pires da Silva (UFBA), presidente da Andifes, afirmou que é muito importante que todos tenham conhecimento do que significa o ataque feito às universidades. “É um ataque orçamentário porque nós vivemos uma defasagem orçamentária ao longo do tempo”. João Carlos pontuou que é preciso hoje não só defender a autonomia da universidade, mas defender o financiamento público da educação. “Ou seja, as universidades realizarão o debate desse modelo não sectário, profundo, para garantir que sua natureza não seja maculada porque nós mesmo não aceitaremos ser a geração que assiste o desmonte da universidade, não aceitaremos qualquer medida que venha agredir e renunciar a nossa natureza”, analisou.

A deputada federal Alice Portugal (PCdoB/BA) disse que é preciso derrotar o Future-se, derrotar Bolsonaro e derrotar o ministro Weintraub “que é o inimigo declarado número um da educação e que nos atinge com maior corte da história da educação brasileira”.

Representando a FASUBRA Sindical estavam presentes os coordenadores José Maria Castro, que participou da mesa, Ademar Sena de Carvalho, Rogério Fideles, Márcia Abreu e Ana Paula Azevedo.

Foto em destaque: Clívia Mesquita/ Brasil de Fato – Ato no Rio de Janeiro